A crise pede qualificação

O ano de 2016 foi marcado pelo agravamento da crise econômica e, consequentemente, pelo crescimento do desemprego. O Brasil fechou o ano com 12,3 milhões de pessoas desempregadas e taxa média de 12% encerrando o quarto trimestre, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram 1,3 milhão de postos de trabalho fechados, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Ainda de acordo com o IBGE, o desemprego passará dos 13% em 2017. Mas, no último trimestre, tende a estagnar. O ano promete ser de estabilização com melhora nos índices econômicos, retomada lenta na economia e com uma ínfima geração de empregos. As contratações devem seguir em ritmo moderado e seletivo, aumentando o acirramento e a disputa por um espaço no mercado de trabalho.


Diante dessa conjuntura, a estratégia adotada por muitos profissionais é investir em conhecimento e qualificação. A escolha por fazer pós-graduação é uma
alternativa para turbinar o currículo e preparar o seu portfólio para cenários mais prósperos de mercado. Para Rafael Souto, CEO da Produtive (RS) – consultoria especializada em outplacement e gestão de carreiras –, investir em uma pós-graduação durante a crise é uma oportunidade de seguir avançando na carreira, à frente de outros profissionais que interrompem o desenvolvimento acadêmico. O consultor argumenta que a pós-graduação – seja especialização, MBA, mestrado ou doutorado – é fundamental para que o profissional se mantenha competitivo em uma época de hiperespecialização. “As empresas, hoje, buscam cada vez mais profissionais preparados e bem qualificados, com muito conhecimento e capacidade de entrega, porque o ambiente de negócios, cada vez mais competitivo, exige equipes qualificadas”, observa.

Segundo Souto, somente sobrevivem no mercado profissionais que tenham domínio numa área de atuação, com eixo funcional de carreira definido. De acordo com levantamento realizado pela Produtive, 85% das 4,1 mil oportunidades que a consultoria abriu em 2016 eram destinadas a especialistas com área foco determinada e visão ampla de negócio, até mesmo para cargos de alta gestão. O recrutador orienta que o profissional tenha conhecimento sólido de uma área e visão generalista das demais – como uma letra T em que a linha vertical é a área foco e a linha horizontal é a noção geral. Por exemplo, um diretor financeiro pode ser um profissional altamente especializado em finanças e com uma são sistêmica do restante da empresa. “O profissional sem foco e que conhece um pouco de cada coisa não se fortalece no mercado. Já o especialista que tem somente uma área, olha somente o próprio umbigo e não tem conhecimentos gerais, está ficando para trás”, adverte Souto. O perfil generalista sem foco é o que também mais sofre com a menor empregabilidade e com a maior dificuldade para crescimento e recolocação no mercado de trabalho.

A busca por profissionais altamente especializados é reflexo de um mercado segmentado, explica Marcelo Saraceni, diretor-geral da Associação Brasileira das Instituições de Pós-Graduação (ABIPG). “O setor de saúde, por exemplo, demanda profissionais especializados em áreas que antigamente não eram tão desenvolvidas no Brasil. E isso demanda qualificação em termos de pós-graduação. É a própria configuração de mercado que exige um profissional mais especializado”, explica. No entanto, Saraceni entende que o mercado necessita tanto de profissionais especialistas como de generalistas, para posições com elevada especificidade técnica.

 


Data da notícia: 20/04/2017


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